o que esta fonte defende
Os 53 textos não formam uma tese argumentativa única, e é importante dizer isso de saída: o Lil’Log é um blog de survey, não de opinião. O que se repete não é uma posição sobre o mundo, é um método. Weng escolhe um subcampo, lê a literatura inteira, reescreve toda a notação matemática dos papers num sistema único e publica um texto de vinte mil palavras que substitui a leitura de dezenas de artigos. O efeito colateral disso é uma autoridade curiosa: vários desses posts — “What are Diffusion Models?”, “Attention? Attention!”, “Policy Gradient Algorithms” — viraram, na prática, a introdução canônica dos seus temas, citada em papers e em ementas de curso. A tese implícita é que a síntese cuidadosa é uma contribuição científica legítima, e não jornalismo de segunda mão.
Há, porém, uma posição substantiva que atravessa o arquivo inteiro, e ela fica visível quando se olha o que ela escolhe estudar. Weng se interessa por como os sistemas falham, não por como eles funcionam. Reward hacking, alucinação, ataques adversariais, toxicidade, overfitting, o abismo entre simulador e mundo real: são todos textos sobre a distância entre o objetivo que você especificou e o comportamento que você obteve. A explicação que ela oferece é sempre a mesma, e é deflacionária — o mau comportamento não é mistério nem emergência, é consequência previsível de uma função objetivo mal especificada somada a dados imperfeitos. Em “Reward Hacking in Reinforcement Learning” (2024) ela trata o problema como um caso de especificação, não de intenção da máquina; em “Extrinsic Hallucinations in LLMs” (2024) ela estreita deliberadamente o termo “alucinação” para o caso de conteúdo fabricado contra fatos verificáveis, recusando o uso frouxo que virou sinônimo de “erro”. Essa recusa de vocabulário inflado é o traço mais consistente da fonte.
Onde ela mudou de ideia: os dois textos mais recentes são de um gênero diferente do resto do arquivo. “Scaling Laws, Carefully” (2026) argumenta, em vez de catalogar — o ponto é que as leis de escala são ajustes empíricos sensíveis ao setup experimental, não leis no sentido físico, e extrapolá-las é uma aposta e não uma dedução. E “Harness Engineering for Self-Improvement” (2026) desloca o objeto de estudo do modelo para o andaime em volta dele: a auto-melhoria recursiva, aquele conceito que vem de I. J. Good nos anos 1960, é reformulada como engenharia de harness — ferramentas, avaliação, loop de execução. Isso contraria, de forma discreta, o enquadramento do próprio post dela de 2023 sobre agentes autônomos, onde o LLM é o “controlador central” e planejamento, memória e ferramentas são módulos pendurados nele. Três anos depois, o que importa é o inverso: o modelo é uma peça, o sistema em volta é onde a alavanca está.
Uma nota prática sobre como ler este arquivo. Muitos posts são documentos vivos, revisados por anos — o de difusão tem atualizações de 2021 a 2024, o da família Transformer foi reescrito inteiro três anos depois e ganhou um sucessor. A data de publicação, portanto, informa pouco sobre o conteúdo atual. E a cadência despencou: entre 2017 e 2024 era um texto a cada dois ou três meses; depois vieram intervalos de sete e treze meses, com apenas três posts desde o fim de 2024. Seguir esta fonte é esperar pouco e ler muito quando chega.
por tema
agentes, raciocínio e o harness (4 textos)
É o núcleo mais recente e o mais citado fora do meio acadêmico. O post de 2023 sobre agentes autônomos com LLM propôs a decomposição que virou padrão de mercado — planejamento, memória, uso de ferramentas — e é provavelmente o texto mais influente do blog; o de prompt engineering, do mesmo ano, trata a área como ciência empírica cujos resultados não transferem entre modelos, um aviso que envelheceu bem.
Os dois textos posteriores mudam de posição. “Why We Think” (2025) organiza a literatura de test-time compute e chain-of-thought em torno da ideia de gastar computação no momento da inferência em vez de no treino. E “Harness Engineering” (2026) tira o modelo do centro: se o ganho vem do andaime — ferramentas, avaliação, o loop que executa —, então a engenharia do harness é onde está o trabalho, não no controlador. É a autocorreção mais clara do arquivo.
- Harness Engineering for Self-Improvement · 2026-07-04
- Why We Think · 2025-05-01
- LLM Powered Autonomous Agents · 2023-06-23
- Prompt Engineering · 2023-03-15
o que dá errado: alucinação, reward hacking, jailbreak (5 textos)
O bloco escrito enquanto Weng liderava segurança na OpenAI, e o mais próximo de uma posição autoral. “Reward Hacking in Reinforcement Learning” trata a exploração de brechas na função de recompensa como consequência estrutural de ambientes imperfeitos, não como esperteza da máquina. “Extrinsic Hallucinations in LLMs” começa estreitando o termo: alucinação, para ela, é conteúdo fabricado que contradiz fatos verificáveis — não qualquer erro do modelo.
O survey de ataques adversariais a LLMs (2023) cataloga jailbreaks assumindo abertamente que o alinhamento por RLHF não é suficiente, e os textos anteriores sobre toxicidade e geração controlável mostram que a preocupação é antiga, de quando o problema ainda se chamava “reduzir toxicidade em modelos de linguagem”. O fio que une os quatro: o comportamento indesejado é sempre um sintoma de especificação incompleta.
- Reward Hacking in Reinforcement Learning · 2024-11-28
- Extrinsic Hallucinations in LLMs · 2024-07-07
- Adversarial Attacks on LLMs · 2023-10-25
- Reducing Toxicity in Language Models · 2021-03-21
- Controllable Neural Text Generation · 2021-01-02
escala, arquitetura e a conta da inferência (10 textos)
“Attention? Attention!” (2018) foi escrito antes de o Transformer ser óbvio, e a família Transformer ganhou duas versões — a de 2020 e a reescrita completa de 2023 —, o que dá uma medida de quanto a arquitetura se mexeu no intervalo. Ao lado deles ficam os textos de engenharia pesada: como treinar modelos gigantes distribuídos em muitas GPUs, e como baratear a inferência de transformers grandes via quantização, esparsidade e destilação. Esse último é sintomático de uma virada de prioridade do campo, quando o custo de rodar passou a pesar mais que o de treinar.
O grupo inclui também a parte teórica do arquivo, minoritária mas persistente: neural tangent kernel, a pergunta sobre por que redes absurdamente sobreparametrizadas não overfittam como a teoria clássica prevê, e o gargalo de informação de Tishby. “Scaling Laws, Carefully” (2026) fecha a linha com o argumento de que a reta no gráfico log-log é um achado empírico frágil, e não uma lei da natureza.
- Scaling Laws, Carefully · 2026-06-24
- The Transformer Family Version 2.0 · 2023-01-27
- Large Transformer Model Inference Optimization · 2023-01-10
- Some Math behind Neural Tangent Kernel · 2022-09-08
- How to Train Really Large Models on Many GPUs? · 2021-09-24
- Neural Architecture Search · 2020-08-06
- The Transformer Family · 2020-04-07
- Are Deep Neural Networks Dramatically Overfitted? · 2019-03-14
- Attention? Attention! · 2018-06-24
- Anatomize Deep Learning with Information Theory · 2017-09-28
modelos generativos, de gan a difusão em vídeo (5 textos)
Uma sequência de cinco textos escritos ao longo de sete anos que funciona como história do campo em ordem de derrota: GAN e o problema de estabilidade que a Wasserstein tentou resolver, autoencoders e o beta-VAE, modelos de fluxo — cujo apelo era justamente calcular a densidade explicitamente, coisa que GAN e VAE não fazem — e enfim difusão.
“What are Diffusion Models?” (2021) é o post mais consultado do blog e continuou sendo atualizado por três anos, incorporando classifier-free guidance, latent diffusion e destilação progressiva conforme apareciam. O de 2024 sobre geração de vídeo estende a mesma máquina para o caso mais difícil, onde é preciso manter coerência temporal entre quadros — e é o último texto do arquivo sobre visão.
- Diffusion Models for Video Generation · 2024-04-12
- What are Diffusion Models? · 2021-07-11
- Flow-based Deep Generative Models · 2018-10-13
- From Autoencoder to Beta-VAE · 2018-08-12
- From GAN to WGAN · 2017-08-20
reinforcement learning, do bandit ao meta-rl (10 textos)
A área de origem dela e a mais coberta do arquivo. A entrada é didática — o problema do bandido multi-armado como forma de apresentar o dilema entre explorar e explorar-o-que-já-se-sabe — e sobe até políticas de gradiente, um survey que virou referência de bolso para a alfabeta de siglas do campo, e uma implementação em TensorFlow com código no GitHub.
Os textos mais interessantes do bloco são os que tratam do que falta ao RL padrão: estratégias de exploração quando a recompensa é rara, currículos que ordenam tarefas por dificuldade, meta-aprendizado e meta-RL para agentes que resolvem tarefas inéditas rápido, randomização de domínio para atravessar o abismo entre simulador e robô real, e estratégias evolutivas como alternativa sem gradiente ao SGD. Todos são, no fundo, sobre o mesmo defeito: RL puro é caro em amostras e frágil fora da distribuição em que treinou.
- Exploration Strategies in Deep Reinforcement Learning · 2020-06-07
- Curriculum for Reinforcement Learning · 2020-01-29
- Evolution Strategies · 2019-09-05
- Meta Reinforcement Learning · 2019-06-23
- Domain Randomization for Sim2Real Transfer · 2019-05-05
- Meta-Learning: Learning to Learn Fast · 2018-11-30
- Implementing Deep Reinforcement Learning Models with Tensorflow + OpenAI Gym · 2018-05-05
- Policy Gradient Algorithms · 2018-04-08
- A (Long) Peek into Reinforcement Learning · 2018-02-19
- The Multi-Armed Bandit Problem and Its Solutions · 2018-01-23
dados: o gargalo que ninguém quer olhar (10 textos)
A trilogia “Learning with not Enough Data” (2021-2022) percorre as saídas para pouco dado rotulado: semi-supervisão, active learning com orçamento de anotação limitado, e geração de dados sintéticos por aumento ou por modelo. O fecho é “Thinking about High-Quality Human Data” (2024), o texto mais incomum do arquivo — trata anotadores humanos como sujeitos com desacordo legítimo, não como fonte de ruído a ser filtrada, e vai buscar um artigo da Nature de mais de cem anos sobre sabedoria das multidões para fazer o ponto. É o texto mais próximo de uma crítica social que ela escreveu.
O grupo reúne ainda a linha de representação: aprendizado contrastivo, auto-supervisão, word embeddings, a família de modelos de linguagem pré-treinados de ELMo a GPT-3 e T5, modelos visão-linguagem e sistemas de perguntas e respostas de domínio aberto. Junto, é o argumento tácito de que o que o modelo aprende depende menos da arquitetura do que da natureza do sinal que você deu a ele.
- Thinking about High-Quality Human Data · 2024-02-05
- Generalized Visual Language Models · 2022-06-09
- Learning with not Enough Data Part 3: Data Generation · 2022-04-15
- Learning with not Enough Data Part 2: Active Learning · 2022-02-20
- Learning with not Enough Data Part 1: Semi-Supervised Learning · 2021-12-05
- Contrastive Representation Learning · 2021-05-31
- How to Build an Open-Domain Question Answering System? · 2020-10-29
- Self-Supervised Representation Learning · 2019-11-10
- Generalized Language Models · 2019-01-31
- Learning Word Embedding · 2017-10-15
os primeiros posts: visão e aprender em público (9 textos)
O começo do blog, em 2017, é de outra pessoa: tutoriais de previsão de preço de ações com RNN em TensorFlow, uma visão geral de deep learning tirada de uma palestra, um texto sobre interpretabilidade motivado por regulação e uso em saúde e justiça. A série “Object Detection for Dummies”, em quatro partes, começa com vetores de gradiente e HOG e termina em YOLO, SSD e RetinaNet — e Weng abre a série admitindo que nunca trabalhou com visão computacional e está escrevendo para se obrigar a entender a matemática.
Essa é a chave para ler o arquivo inteiro: os surveys que hoje têm cara de autoridade nasceram de um hábito de estudar em público e publicar as anotações. O feed também traz uma página de FAQ com data de placeholder, que não é um texto e pode ser ignorada.
- Object Detection Part 4: Fast Detection Models · 2018-12-27
- Object Detection for Dummies Part 3: R-CNN Family · 2017-12-31
- Object Detection for Dummies Part 2: CNN, DPM and Overfeat · 2017-12-15
- Object Detection for Dummies Part 1: Gradient Vector, HOG, and SS · 2017-10-29
- How to Explain the Prediction of a Machine Learning Model? · 2017-08-01
- Predict Stock Prices Using RNN: Part 2 · 2017-07-22
- Predict Stock Prices Using RNN: Part 1 · 2017-07-08
- An Overview of Deep Learning for Curious People · 2017-06-21
- FAQ · 2001-01-01
onde ela discorda de outras fontes do acervo
A discordância mais nítida é com ela mesma, e vale mais que qualquer comparação externa: o post de 2023 sobre agentes coloca o LLM como controlador central com módulos acoplados, e o de 2026 sobre harness engineering argumenta que a alavanca está no andaime em volta, não no modelo. Contra a leitura maximalista das leis de escala — comum entre quem trata a curva como garantia de progresso futuro —, “Scaling Laws, Carefully” sustenta que são ajustes empíricos dependentes do setup, e que extrapolar é aposta. E contra o uso corrente de “alucinação” como sinônimo de erro, ela insiste numa definição estreita: só conta o que é fabricado contra fato verificável.
linha do tempo
- 2026-07-04 — Harness Engineering for Self-Improvement
- 2026-06-24 — Scaling Laws, Carefully
- 2025-05-01 — Why We Think
- 2024-11-28 — Reward Hacking in Reinforcement Learning
- 2024-07-07 — Extrinsic Hallucinations in LLMs
- 2024-04-12 — Diffusion Models for Video Generation
- 2024-02-05 — Thinking about High-Quality Human Data
- 2023-10-25 — Adversarial Attacks on LLMs
- 2023-06-23 — LLM Powered Autonomous Agents
- 2023-03-15 — Prompt Engineering
- 2023-01-27 — The Transformer Family Version 2.0
- 2023-01-10 — Large Transformer Model Inference Optimization
- 2022-09-08 — Some Math behind Neural Tangent Kernel
- 2022-06-09 — Generalized Visual Language Models
- 2022-04-15 — Learning with not Enough Data Part 3: Data Generation
- 2022-02-20 — Learning with not Enough Data Part 2: Active Learning
- 2021-12-05 — Learning with not Enough Data Part 1: Semi-Supervised Learning
- 2021-09-24 — How to Train Really Large Models on Many GPUs?
- 2021-07-11 — What are Diffusion Models?
- 2021-05-31 — Contrastive Representation Learning
- 2021-03-21 — Reducing Toxicity in Language Models
- 2021-01-02 — Controllable Neural Text Generation
- 2020-10-29 — How to Build an Open-Domain Question Answering System?
- 2020-08-06 — Neural Architecture Search
- 2020-06-07 — Exploration Strategies in Deep Reinforcement Learning
- 2020-04-07 — The Transformer Family
- 2020-01-29 — Curriculum for Reinforcement Learning
- 2019-11-10 — Self-Supervised Representation Learning
- 2019-09-05 — Evolution Strategies
- 2019-06-23 — Meta Reinforcement Learning
- 2019-05-05 — Domain Randomization for Sim2Real Transfer
- 2019-03-14 — Are Deep Neural Networks Dramatically Overfitted?
- 2019-01-31 — Generalized Language Models
- 2018-12-27 — Object Detection Part 4: Fast Detection Models
- 2018-11-30 — Meta-Learning: Learning to Learn Fast
- 2018-10-13 — Flow-based Deep Generative Models
- 2018-08-12 — From Autoencoder to Beta-VAE
- 2018-06-24 — Attention? Attention!
- 2018-05-05 — Implementing Deep Reinforcement Learning Models with Tensorflow + OpenAI Gym
- 2018-04-08 — Policy Gradient Algorithms
- 2018-02-19 — A (Long) Peek into Reinforcement Learning
- 2018-01-23 — The Multi-Armed Bandit Problem and Its Solutions
- 2017-12-31 — Object Detection for Dummies Part 3: R-CNN Family
- 2017-12-15 — Object Detection for Dummies Part 2: CNN, DPM and Overfeat
- 2017-10-29 — Object Detection for Dummies Part 1: Gradient Vector, HOG, and SS
- 2017-10-15 — Learning Word Embedding
- 2017-09-28 — Anatomize Deep Learning with Information Theory
- 2017-08-20 — From GAN to WGAN
- 2017-08-01 — How to Explain the Prediction of a Machine Learning Model?
- 2017-07-22 — Predict Stock Prices Using RNN: Part 2
- 2017-07-08 — Predict Stock Prices Using RNN: Part 1
- 2017-06-21 — An Overview of Deep Learning for Curious People
- 2001-01-01 — FAQ